Grande jarra, com cerca de 34 cm. de altura, em faiança da fábrica Amphora, Checoslováquia.
Muita da produção desta fábrica, nas décadas de 1920 e 1930, caracteriza-se por uma decoração, figurativa ou floral, policromada a esmalte homogéneo, combinada com um fundo de esmalte esponjado, mais ou menos brilhante, ou apenas um esponjado mais rugoso e áspero, não esmaltado.
Como se sabe, a instituição formal da Checoslováquia resulta dos acordos sócio-políticos e geográficos estabelecidos após o Armistício, sendo o seu território consolidado em 1919, através do Tratado de Saint-Germain-en-Laye.
A designação comercial Amphora surgiu inicialmente em 1892, na empresa familiar Riessner, Stellmacher & Kessel, impulsionada pelo experiente Alfred Stellmacher (1837-1899), que encorajou o seu filho e o seu genro a estabelecer a empresa. As peças, produzidas na região de Teplitz, eram marcadas com as iniciais RS&K., a designação Amphora e a indicação de origem como sendo a Áustria.
Pouco tempo depois, em 1894, a empresa foi adquirida por Ernst Wahliss (1836-1900), sofrendo subsequentes alterações após a morte deste. Entretanto, a sua produção havia adquirido já grande reputação tanto pela qualidade cerâmica como pelo design Jugenstil / Art Nouveau de muitas da suas peças.
A presente jarra, produzida já numa empresa que sucedeu a todas as mencionadas e herdou a designação Amphora, traduz perfeitamente l'air du temps da década de 1920 no seu motivo decorativo, ao retomar um revivalismo egípcio que já havia surgido no século anterior, mas que ganhou nova ressonância com a descoberta do túmulo de Tutankhamon, ocorrida em 1922.
Note-se como, para quem concebeu esta peça, a gramática decorativa evocativa do Egipto assenta, essencialmente, na figura sentada de perfil, na inscrição de pretensa escrita hieroglífica e na reprodução de flores de lótus estilizadas.
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