Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Janeiro 11 2018

 

Lambrilha, com motivo e tratamento compositivo revivalista, ostentando no tardoz a legenda, em relevo, SACAVEM.

 

Esta incomum peça da FLS, que alia ao revivalismo composicional o parcial recurso técnico ao stencil (chapa recortada), assinala a publicação do milésimo quingentésimo artigo neste espaço.

 

© MAFLS

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Julho 09 2017

 

Figura de cão em biscuit da Sociedade de Porcelanas, de Coimbra.

 

Assinale-se que a pasta e a superfície deste exemplar são mais ásperas do que habitualmente acontece na maioria das peças em biscuit da SP.

 

 

 © MAFLS

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Março 03 2017

 

Atingiram-se hoje as quinhentas mil visitas ao espaço Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém.

 

Para assinalar a efeméride, apresenta-se uma figura de elefante em pasta de loiça sanitária, com cerca de 21,6 x 25,8 x 9,8 cm., ostentando vidrado pérola semi-mate.

 

Esta peça foi originalmente modelada pelo escultor britânico Donald Gilbert (1901-1961) e, tal como já foi mencionado, surge referenciada na tabela de preços de Novembro de 1945 sob o número 183 e a designação "Elefante" ao preço de 141$00 para "Colorido s/ ouro", surgindo ainda nas tabelas de Maio de 1951, ao preço de 162$00 para "Côres Mates ou coloridos s/ ouro", e de Maio de 1960, ao mesmo preço para "Branco colorido s/ ouro".

 

O exemplar desta última tabela existente no CDMJA/MCS regista que o peso da peça é de 930 gramas.

 

Elefantes com este formato estiveram em produção provavelmente até à década de 1980, sendo esta uma das esculturas de animais mais comercializadas pela FLS. Um exemplar com o mesmo vidrado pode ser visto numa fotografia onde aparece conjuntamente com outras figuras de animais que também tiveram uma produção prolongada no tempo: http://mfls.blogs.sapo.pt/176503.html

 

Dois outros exemplos de diferente vidrado monocromático aplicado em peças com o formato 183 podem ser vistos no espaço de MUONT: http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/search/label/Elefante.

 

Sendo esta uma peça do período final da FLS, não apresenta qualquer marca, como acontecia com outros exemplares dessa época produzidos na mesma pasta.

 

© MAFLS 

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Dezembro 22 2016

Mealheiro decorado sobre o vidrado com o signo zodiacal de Capricórnio, e legendas a dourado, produzido no último período da FLS.

 

Note-se a imperfeição do vidrado, e da pasta, e o facto de o vidrado sobre a marca se encontrar picado. Em algumas fábricas europeias, o vidrado sobre a marca de fábrica era riscado a fim de que as peças pudessem ser colocadas no mercado, a preços mais baixos, como refugo ou peças de segunda escolha.

 

De acordo com Clive Gilbert, a prática na FLS era de limitar a venda das peças de segunda escolha aos funcionários da empresa, não havendo uma marcação específica para esses exemplares.

 

Veja-se outro mealheiro da mesma série aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/118060.html.

 

 

© MAFLS

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Julho 30 2016

 

Conjunto de azulejos decorativos, com cerca de 15,2 cm. de lado, ostentando decoração aplicada a stencil (chapa recortada) e aerógrafo sobre o vidrado.

 

No tardoz ostentantam, em relevo, a inscrição LUFAPO / Coimbra, que, como se sabe, correspondia a uma das marcas do grupo Lusitânia.

 

© MAFLS

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Dezembro 22 2015

 

Vasco Lopes de Mendonça (1883-1963) formou-se em engenharia militar, fazendo carreira na área e aposentando-se enquanto técnico superior de engenharia da Câmara Municipal de Lisboa, mas dedicou também particular atenção à caricatura, à ilustração e à cerâmica.

 

Tal multiplicidade de interesses não será estranha ao facto de ter crescido, e ter sido educado, numa família, e num ambiente, de artistas e intelectuais.

 

Seu pai, Henrique Lopes de Mendonça (1856-1931), também militar de carreira, escritor e dramaturgo, elaborou em 1890, no auge do ultimato inglês, a letra de A Portuguesa, composição musicada por Alfredo Keil (1850-1907) que, após ser parcialmente expurgada no verso "Contra os britões marchar, marchar" para se tornar politicamente correcta, foi adoptada como hino nacional durante a I República.

 

Sua mãe, Maria Amélia Bordalo Pinheiro (datas desconhecidas), provinha da famosa família Bordalo Pinheiro onde, entre outros, se destacaram Columbano (1857-1929) e Rafael (1846-1905), irmãos de Maria Amélia, e o filho deste último, Gustavo (1867-1920).

 

Suas irmãs Vigínia Lopes de Mendonça (1881-1969) e Alda Lopes de Mendonça (1885-1962), destacaram-se também, como escritora e dramaturga, a primeira, e como rendeira, numa certa tradição Arts & Crafts, mas também reproduzindo desenhos de seus irmãos Vasco e Virgínia, a segunda.

 

 

Embora tenha obra reconhecida no desenho e na ilustração gráfica (http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/300833.html), áreas onde colaborou em alguns dos livros de sua irmã Virgínia, mas também em livros de Acácio de Paiva (1863-1944), Laura Chaves (1888-1966), Maria de Carvalho (1889-1973), Leonor de Campos (pseudónimo de Helena de Sousa Costa, datas desconhecidas), Emília de Sousa Costa (1877-1959), Graciette Branco (1905-?), Maria do Carmo Peixoto (1877-?), Vasco Lopes de Mendonça encontra-se ainda ligado à produção cerâmica.

 

Está documentada a sua colaboração com a fábrica Bordalo Pinheiro, das Caldas da Rainha, durante as décadas de 1940 e 1950, já muito depois do falecimento de Rafael e Gustavo Bordalo Pinheiro, para a qual modelou diversas estatuetas caricaturais.

 

Surgem neste conjunto várias figuras típicas da época ou da tradição portuguesa – alentejanos, boxeurs, cantadeiras, curas, galegos, guardas da GNR, guardas-nocturnos, lavadeiras, leiteiras, lusitos, marinheiros, meninos da Luz, polícias, regateiras, saloios, velhos e vendedeiras.

 

Mas também reconhecidas personalidades internacionais, como Adolf Hitler (1889-1945), Benito Mussolini (1883-1945), Josef Stalin (1878-1953), Nikita Khrushchev (1894-1971), e Winston Churchill (1874-1965).

 

Este último, para além daquela aqui apresentada, surge ainda na famosa versão em que é retratado com uma bengala, um bornal e capacete de guerra a tiracolo, apresentando na boca o inevitável charuto e saudando com um boné na mão do braço direito, erguido.

 

 

Está menos documentada e é menos conhecida, no entanto, a sua ligação à Fábrica de Loiça de Sacavém, ainda na década de 1940, empresa para a qual modelou algumas figuras de animais, que agora se reproduzem mas que já aqui haviam surgido (http://mfls.blogs.sapo.pt/45369.html), muito ao gosto quer da tradição dos contos populares quer de uma gramática caricatural que Walt Disney (1901-1966) recuperou daquela tradição.

 

Muito provavelmente, para além dos dois exemplares acima ilustrados, que correspondem aos números 368 e 368A da tabela de 1945 da FLS, Vasco Lopes de Mendonça terá modelado também mais algumas figuras de animais, bem como certas figuras caricaturais, algumas delas correspondentes às enunciadas anteriormente, que constam das tabelas de 1945 e 1951.

 

O artista foi homenageado postumamente, ainda em 1963, através de uma exposição retrospectiva realizada no Palácio Galveias, em Lisboa, onde se podiam observar vários óleos de Columbano retratando sua irmã e seu sobrinho Vasco e vários exemplos da arte deste – esculturas e medalhões em gesso, desenhos a lápis e a sanguínea, e aguarelas.

 

 

Faziam parte daquela exposição dezasseis vitrinas que, para além de mostrarem caricaturas, originais de ilustrações e exemplares de livros ilustrados pelo homenageado, exibiam ainda, em cinco delas, as mais de cinquenta obras que Vasco Lopes de Mendonça executou em faiança e terracota.

 

Embora no evento não surgisse qualquer referência à colaboração do autor com a FLS, algumas das peças então exibidas foram indubitavelmente produzidas por esta fábrica.

 

As imagens aqui reproduzidas a preto e branco foram retiradas do respectivo catálogo, onde surge ainda a fotografia de um conjunto de quatro patos, ilustrados abaixo, que certamente corresponderá ao conjunto 368B, "Grupo de patos humorísticos", referenciado nas tabelas de 1945 e 1951 da FLS.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Dezembro 12 2015

 

Grande travessa, com cerca de 30,2 x 42,5 x 4,7 cm., em faiança da fábrica Faianças de S. Roque, Aveiro.

 

Apresentando um formato oitavado comum já nas travessas do último quartel do século XIX, esta peça ilustra três técnicas decorativas – esponjado no rebordo, stencil (chapa recortada) nos motivos florais e no motivo central e pintura manual livre nas pinceladas a verde.

 

Embora não seja uma peça que originalmente tivesse um custo de comercialização elevado, a aplicação destas técnicas distintas traduz uma produção relativamente onerosa quanto à mão-de-obra envolvida.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Janeiro 11 2015

 

 

Estavam estas peças reservadas para um trocadilho, fácil, a realizar no Outono deste ano.

 

Mas os acontecimentos desta semana justificam a sua publicação agora, com outro valor metafórico, porque nos querem transformar em coelhos acossados e assustados.

 

A tradicional e assustadora imagem do homem do saco surge aqui transformada na imagem do homem do cajado, que ora o maneja como instrumento para não deixar sair carneiros e ovelhas do rebanho, ora para os reconduzir ao seu seio. Ou ainda para esmagar, de uma só cajadada, mais de um coelho.

 

 

E a maior homenagem que se pode fazer às vítimas dos atentados desta semana, particularmente aos desenhadores e cartoonistas e à sua luta pela diferença e pela liberdade, é não nos deixarmos iludir ou limitar, ainda mais, nas nossas liberdades e garantias individuais, a pretexto de maior prevenção e maior segurança colectiva.

 

Nos últimos anos, a nossa liberdade já foi limitada a pretexto da crise económica e financeira e da alegada necessidade de uma austeridade específica e particular. Na última década, a pretexto de uma maior segurança global – veja-se a facilidade com que actualmente os governos acedem a informação privada dos cidadãos, sem indignação ou contestação, através dos seus telemóveis ou das suas contas nas redes sociais.

 

Homenageiem-se as vítimas, e os valores de liberdade que defendiam, não se criem novos pretextos para atacar ainda mais esses valores.

 

© MSP / Mauricio de Sousa Produções

 

Como o artigo de hoje quase não é sobre cerâmica, nem essa é a prioridade, deixa-se apenas a informação de que a figura do coelho azul é da Electro-Cerâmica do Candal e as argolas de guardanapo são da VA, com marca do período de 1922-1947.

 

Vejam-se variantes cromáticas da peça do Candal aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/31762.html.

 

Bravo, Charlie!

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Setembro 01 2014

 

Base de candeeiro, do último período de produção da FLS, com vidrado verde brilhante sobre o relevo moldado.

 

Este exemplar vem comprovar que o modelo, embora fosse inicialmente lançado e comercializado como jarra, veio posteriormente a ser adaptado a base de candeeiro na própria FLS, como se pode verificar pelo vidrado que recobre parte do orifício destinado à cablagem.

 

Veja-se uma variante de vidrado em peça semelhante, mas inicialmente comercializada como jarra, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/5103.html.

 

No dia em que completa cinco anos, com cerca de 350.000 visitas e mais de 1280 artigos publicados, mais de duzentos e trinta dos quais dedicados a outras fábricas portuguesas, o Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém interrompe aqui a sua publicação periódica.

 

Endereçado às visitas que regularmente recebeu ao longo destes anos, à colaboração de coleccionadores na cedência de imagens das suas peças e partilha de conhecimentos, à prestimosa cooperação, cortesia e profissionalismo dos colaboradores do Museu de Cerâmica de Sacavém e do Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso e, particularmente, à amizade e ao contributo memorialístico de Clive Gilbert, fica aqui um profundo agradecimento a todas as pessoas que dedicam ao estudo e coleccionismo da cerâmica portuguesa muito do seu tempo, fazendo jus, assim, à memória de um património que indelevelmente contribui para a consolidação da nossa identidade nacional.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 23:59

Setembro 01 2014

 

Escultura em faiança da unidade de Lisboa da Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia, com cerca de 23,4 x 16,2 x 6 cm., representando uma girafa.

 

Note-se como a representação das manchas da pele foi executada a aerógrafo.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 15:01

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