Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Janeiro 03 2014

 

Fundada em 1726, na Suécia, a fábrica Rörstrand tornou-se particularmente célebre durante o final do século XIX e o princípio do século XX através da sua produção de peças modeladas e decoradas ao estilo Art Nouveau.

 

A estilização floral Art Nouveau foi sublinhada pela fábrica através da técnica pâte-sur-pâte, que permite um tratamento escultural das peças através da adição de porcelana em camadas, contribuindo assim para o aspecto tridimensional da decoração.

 

Depois de um percurso relativamente discreto durante o período Art Déco, a fábrica voltou a projectar-se internacionalmente com o modernismo escandinavo dos anos 40 e 50, movimento para o qual contribuiu com ceramistas e peças de notável qualidade.

 

 

A primeira jarra apresentada é em faiança, mede cerca de 28,2 cm. de altura, e terá sido provavelmente modelada por Alf Wallander (1862-1914), durante o final do século XIX.

 

Conhece-se uma jarra deste modelo, com decoração marmoreada e assinatura de Thure Öberg (1871-1935), marcada como tendo sido produzida na fábrica Arabia, Finlândia.

 

Proveniente da fábrica Rörstrand, Öberg chegou em 1896 à Arabia como director técnico, cargo que veio a desempenhar até 1932.

 

 

 

A segunda jarra, já em porcelana e com cerca de 13,8 cm. de altura, foi modelada e decorada por artistas não identificados, no período que decorreu entre 1897 e 1910.

 

A terceira, também em porcelana e com cerca de 16 cm. de altura, apresenta um tratamento pâte-sur-pâte, tendo sido modelada por Ruben Rising (1869-1929) e decorada por Astrid Ewerlöf (1876-1927) entre 1900 e 1910.

 

A identificação destes autores fez-se através das iniciais "RR", impressas na pasta, e da inicial ".E." pintada sobre a marca da fábrica. A anterior jarra em porcelana também apresenta iniciais impressas na pasta (A?), mas estas não são suficientemente legíveis para permitir identificar o/a modelador/a.

 

 

A última peça representa um lúcio, com cerca de 4,4 cm. de altura e 28,4 cm. de comprimento, produzido provavelmente no terceiro quartel do século XX, apresentando múltiplo acabamento vidrado mate, que inclui ainda pequenas manchas rugosas minuciosamente produzidas com óxidos de metal.

  

               

 

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Dezembro 26 2012

 

 

Fundada em 1873 como uma subsidiária da empresa sueca Rörstrand (cf. http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/67869.html), a empresa Arabia estabeleceu no ano seguinte a sua primeira fábrica nos arredores da capital da Finlândia, Helsínquia.

 

Coincidindo no tempo com um sucedâneo tardio daquilo que se designou como Historismus, um revivalismo de inspiração histórica nas artes decorativas do centro e norte da Europa, a fábrica veio a veicular o desenvolvimento de um sentimento nacionalista finlandês no início do século XX.

 

Contando com a colaboração de alguns dos mais reputados arquitectos e designers finlandeses, onde se incluíam Akseli Gallen-Kallela (1865-1931), Eliel Lindgren (1874-1929) e Eliel Saarinen (1873-1950), a produção da fábrica conquistou uma medalha de ouro na Exposição Universal de Paris de 1900, desenvolvendo a partir de 1902 uma linha particularmente característica, com predomínio de composições geométricas, que veio consagrar internacionalmente o design da fábrica - a linha Fennia.

 

A jarra em faiança que se reproduz acima, com cerca de 21,1 cm. de altura, é uma das mais representativas dessa linha, quer na decoração, quer na forma, a qual surge ainda numa jarra de vidro da também finlandesa fábrica Nuutajärvi, produzida na mesma época.

 

Em 1916 a fábrica passou a ser detida integralmente por capital finlandês o que, apesar da modernização e renovação que se seguiu, poderá ter contribuído para alguma perda de competitividade internacional do seu design, pois a produção Rörstrand era particularmente reconhecida pela sua qualidade nessa área.

 

Este declínio veio  a ser ultrapassado com a chegada de Kaj Franck (1911-1989) que, a partir de 1945, assumiu a liderança do design da fábrica, onde fez ressoar a sua influência durante mais de três décadas. Logo em 1951 a empresa recebeu um galardão na trienal de Milão, Itália, distinção que se repetiu em 1953 e 1957.

 

Ironicamente, em 1984, a empresa Wärtsilä, que detinha o capital da Arabia, veio também a adquirir a totalidade da fábrica Rörstrand. Poucos anos depois, em 1990, o grupo Hackman adquiriu a Arabia a esta empresa. Posteriormente, o famoso grupo vidreiro iittala veio a adquirir, por sua vez, a empresa Arabia, que ainda hoje se mantém como marca autónoma.

 

 

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