Mostardeira, com cerca de 6,8 cm. de altura e 13,8 cm. de largura, apresentando um invulgar motivo decorativo floral Art Déco, não identificado, pintado à mão.
© MAFLS
Mostardeira, com cerca de 6,8 cm. de altura e 13,8 cm. de largura, apresentando um invulgar motivo decorativo floral Art Déco, não identificado, pintado à mão.
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Jarra, com cerca de 27,8 cm. de altura, da fábrica Boch Frères Keramis, La Louvière, Bélgica.
Correspondendo a uma inequívoca mas peculiar gramática Art Déco, esta invulgar decoração de Charles Catteau (1880-1966), aplicada sobre uma jarra com o formato 258, ilustra o motivo D738, introduzido cerca de 1923.
além de ilustrar um motivo menos comum na produção da BFK, a base deste exemplar ostenta ainda a marca dos célebres armazéns norte-americanos Macy, uma estrela dentro de um círculo, marca que raramente surge associada à produção desta empresa belga.
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Grande jarra, com cerca de 34 cm. de altura, em faiança da fábrica Amphora, Checoslováquia.
Muita da produção desta fábrica, nas décadas de 1920 e 1930, caracteriza-se por uma decoração, figurativa ou floral, policromada a esmalte homogéneo, combinada com um fundo de esmalte esponjado, mais ou menos brilhante, ou apenas um esponjado mais rugoso e áspero, não esmaltado.
Como se sabe, a instituição formal da Checoslováquia resulta dos acordos sócio-políticos e geográficos estabelecidos após o Armistício, sendo o seu território consolidado em 1919, através do Tratado de Saint-Germain-en-Laye.
A designação comercial Amphora surgiu inicialmente em 1892, na empresa familiar Riessner, Stellmacher & Kessel, impulsionada pelo experiente Alfred Stellmacher (1837-1899), que encorajou o seu filho e o seu genro a estabelecer a empresa. As peças, produzidas na região de Teplitz, eram marcadas com as iniciais RS&K., a designação Amphora e a indicação de origem como sendo a Áustria.
Pouco tempo depois, em 1894, a empresa foi adquirida por Ernst Wahliss (1836-1900), sofrendo subsequentes alterações após a morte deste. Entretanto, a sua produção havia adquirido já grande reputação tanto pela qualidade cerâmica como pelo design Jugenstil / Art Nouveau de muitas da suas peças.
A presente jarra, produzida já numa empresa que sucedeu a todas as mencionadas e herdou a designação Amphora, traduz perfeitamente l'air du temps da década de 1920 no seu motivo decorativo, ao retomar um revivalismo egípcio que já havia surgido no século anterior, mas que ganhou nova ressonância com a descoberta do túmulo de Tutankhamon, ocorrida em 1922.
Note-se como, para quem concebeu esta peça, a gramática decorativa evocativa do Egipto assenta, essencialmente, na figura sentada de perfil, na inscrição de pretensa escrita hieroglífica e na reprodução de flores de lótus estilizadas.
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Jarra, com cerca de 29,2 cm. de altura, da fábrica belga Boch Frères / Keramis.
Ostentando uma decoração floral estilizada, ao gosto Art Déco, apresenta ainda o característico craquelé induzido, associado à produção da fábrica durante esse período.
Este motivo, com a referência D. 1102, foi introduzido na produção da fábrica por volta de 1927.
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Máscara, com cerca de 25,5 cm. de altura, sem qualquer marca de fábrica, a não ser um número de referência que parece ser o "545(?)".
Embora não ostente qualquer outra marca visível, sabe-se que este formato corresponde à produção da Villeroy & Boch (https://www.villeroyboch-group.com/en/), provavelmente na sua fábrica de Septfontaines, no Luxemburgo.
A autoria desta máscara é atribuída ao artista plástico alemão Eduard Hermanutz (1902-1992), que colaborou, como escultor, com a Villeroy & Boch, em Septfontaines, entre 1933 e 1939.
Para esta empresa criou diversas máscaras femininas, entre as quais uma denominada Eve, que se conhece num tom azul, semelhante a este, e em tons de verde, outra correspondente a um rosto de raça negra, apresentada também em tons de azul, e ainda um outro busto de raça negra, comercializado quer em tons de azul, quer em tons de laranja.
Hermanutz esculpiu também figuras de animais, que a Villeroy & Boch comercializou em tons de branco mate, semelhante ao dos animais da Wedgwood, entre as quais se conhece a figura estilizada de um antílope, e em tons de verde, de que se conhecem as figuras, mais caricaturais, de um elefante e de um gato.
Na senda das máscaras produzidas na Áustria, pela Goldscheider, e em Itália, pela Lenci, esta peça epitomiza, tal como as anteriores, uma certa visão do feminino estilizado ao gosto Art Déco.
Em Portugal, como é óbvio, a obra cerâmica de Jorge Barradas (1894-1971) está em sintonia com esta gramática.

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Jarra, com cerca de 18,3 cm. de altura, em grés da fábrica francesa Rambervillers.
Ostentando os característicos vidrados metalizados desta empresa, aqui em tons de azul, verde e bronze, esta peça evoca uma forma vegetal, ou um fruto, num tratamento que se afasta do estilo Art Nouveau.
Com efeito, esta forma mais estática e geométrica traduz já a adopção transicional de uma híbrida gramática que se aproxima de algumas abordagens Art Déco, através das arestas suavizadas e das diferentes secções da sua volumetria.
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Cafeteira em porcelana da Vista Alegre, com cerca de 14,4 x 19,2 cm., apresentando decoração floral estampada por decalque e complementos a dourado.
Conforme foi anteriormente referido, o formato Samuel, aqui ilustrado, é um dos formatos modernistas da VA adoptados durante o período 1922-1947 e um dos mais icónicos do período Art Déco.
Muitas vezes semelhantes serviços de café, chá e jantar ostentavam a tradicional e convencional decoração floral, suavizando assim a ousadia dos formatos inovadores, que melhor se adaptariam a uma decoração mais minimalista ou geométrica, e fazendo uma concessão a um leque alargado de consumidores mais conservadores.
Veja-se um bule do formato Samuel, com outra decoração floral, aqui: https://mfls.blogs.sapo.pt/outras-fabricas-outras-loicas-cdlxiii-429600.

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Pequena escultura, com cerca de 8,8 x 12,8 cm., não marcada mas indubitavelmente em grés de Rambervillers, França.
Representando uma raposa-do-deserto, ou feneco, esta peça surge referenciada pela primeira vez no catálogo de 1952, sob o número 706, o que significa que o modelo original terá sido criado entre 1931, a data do catálogo anterior, e aquele ano.
Atendendo às ligações coloniais de França com o norte de África, onde esta espécie tem um dos seus habitats, às grandes exposições realizadas em França, nos anos de 1931 e 1937, e aos acontecimentos geo-políticos subsequentes, é muito provável que o original desta peça tenha sido modelado antes do eclodir da II Guerra Mundial.
Vejam-se outras peças de Rambervillers, e alguma informação sobre a sua produção, aqui: https://mfls.blogs.sapo.pt/tag/rambervillers .
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Pequena jarra em faiança, com cerca de 16 cm. de altura, produzida a partir de 1934 na fábrica belga Boch Frères / Keramis.
Apresentando uma decoração floral estilizada ao gosto Art Déco, esta peça ostenta um vidrado, uma combinação cromática e um fundo preto que ilustram mais uma variante das inúmeras opções de vitrificação e decoração desta renomada fábrica belga.
Neste caso, o conjunto evidencia clara influência das célebres faianças Gouda, produzidas nos Países Baixos e particularmente notáveis durante os períodos Art Nouveau e Art Déco, influência que também se verificou na cerâmica belga de Mons.
As iniciais V. B. correspondem a Vittorio Bonuzzi (datas desconhecidas) que, ao longo da década de 1930, concebeu, com assinalável sucesso comercial, inúmeras composições florais, dentro deste estilo, para a empresa.

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Bule em porcelana da Vista Alegre, com cerca de 11,2 x 26,3 e 17,2 cm. de diâmetro máximo, no formato Samuel, um dos mais icónicos modelos Art Déco que, a exemplo de outros, a VA importou da Alemanha.
Note-se como a decoração floral, aplicada por decalcomania, vai de encontro a um gosto mais conservador dos consumidores, distraindo o olhar da modernidade e estilização formal da peça.

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