Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 01 2022

 

Grande jarra Art Nouveau, com cerca de 30,5 cm. de altura, da fábrica francesa Rambervillers, surgindo com a referência número 11 nos catálogos editados pela empresa em 1905, 1920 e 1931.

 

Este é um dos quatro formatos, documentados, que Charles Catteau (1880-1966) concebeu para a Rambervillers.

 

Catteau viria a tornar-se célebre após ingressar na fábrica belga Boch Frères Keramis, onde, depois de ensaiar ainda a criação de alguns formatos e motivos Art Nouveau, concebeu extraordinários exemplares cerâmicos, ora feéricos e exuberantes, ora depurados e contidos, dentro da gramática Art Déco.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 22:01

Setembro 01 2022

 

Pequena jarra em grès, com cerca de 13,2 cm. de altura, apresentando a marca do consagrado ceramista francês Alexandre Bigot (1862-1927).

 

Inicialmente formado em física e química, Bigot interessou-se pela cerâmica a partir de 1889, ano em que visitou a Exposição Universal e se deixou cativar pela cerâmica oriental aí exibida.

 

Posteriormente, veio a colaborar com o célebre arquitecto Hector Guimard (1867-1942), colaboração que veio consolidar o seu percurso na integração da cerâmica em projectos arquitectónicos e o elevou à categoria de  um dos maiores expoentes na área.

 

Em 1900 recebeu um Grand Prix na Exposição Universal, distinção que consagrou definitivamente o seu percurso, levando-o a colaborar com muitos outros arquitectos, particularmente no auge do período Art Nouveau.

 

Note-se como esta peça apresenta uma estrutura em estanho, representando lírios estilizados, que acentua a sua origem francesa através da evocação do símbolo nacional que é a fleur-de-lis.

 

 

© MAFLS

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Setembro 01 2022

 

Grande jarra em grés, com cerca de 37,8 cm. de altura, da fábrica francesa Denbac.

 

Estamos perante uma das icónicas jarras desta fábrica que ilustra perfeitamente uma harmoniosa interpretação das opções da gramática Art Nouveau.

 

Note-se, ainda, como a opção escultórica de fazer brotar do corpo da peça as três asas lhe confere um certo sentido vegetalista e a aproxima formalmente de uma opção semelhante, embora bem menos estilizada e bem mais curvilínea, exemplificada no gomil de Jérôme Massier (1850-1926) já hoje apresentado.

 

 

© MAFLS

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Setembro 01 2022

 

Grande gomil Art Nouveau, com cerca de 47 cm. de altura, modelado por Jérôme Massier (1850-1926), correspondendo a umas das mais icónicas peças arte nova produzidas pela célebre família Massier.

 

Delphin Massier (1836-1907) modelou também, provavelmente em período anterior, uma peça muito semelhante, que se distingue desta apenas pela diferente posição dos braços da figura feminina.

 

Destas duas peças conhecem-se variantes, criadas quer por Delphin quer por Jérôme, com diferentes cores e diferentes vidrados.

 

 

© MAFLS

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Janeiro 01 2019

 

Pequena jarra, com cerca de 14,8 cm. de altura, decorada com motivos vegetais em relevo e produzida em Montières, Amiens.

 

Como é evidente, este acabamento com iridiscências metálicas, desenvolvido por Jean Barol (1873-1966), remete claramente para as técnicas de revestimento cerâmico que haviam sido anteriormente exploradas por Clément Massier (1845-1917) e sua família (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/cl%C3%A9ment+massier).

 

Na senda dos Massier, como já foi referido, veio também o trabalho de Jacques Sicard (1865-1923), cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/213887.html, bem como o de Jean-Baptiste Gaziello (1871-1957), cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/jean+gaziello., não se devendo ignorar ainda a excelente produção húngara da Zsolnay.

 

Jean Barol, que havia sido discípulo de Clément Massier, assumiu o cargo de director artístico da fábrica Montières, fundada em 1915, durante os anos de 1917 a 1920.

 

As bagas silvestres foram um motivo comum na cerâmica europeia (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/276534.html) e americana do período Art Nouveau, que ocorre ainda, embora de forma menos prolixa, no subsequente período Art Déco, mas aqui encontramo-nos perante a florescência da hera, motivo que remete directamente para a heráldica da municipalidade de Amiens.

 

 

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Dezembro 30 2018

 

Embora a fábrica Denbac tenha produzido notáveis esculturas de animais, como a da majestosa, hierática e serena figura de antílope que ontem se apresentou, a verdade é que a sua imagem de marca está associada a um consistente conjunto de excepcionais jarras modeladas dentro do estilo Art Nouveau e do estilo Art Déco.

 

Ao contrário da sua congénere de Vierzon, a Odyv, fundada na década de 1920 e que atingiu a sua maior projecção com as peças criadas ao gosto Art Déco, a Denbac comercializou notáveis exemplares de fauna, jarras e outras peças utilitárias, dentro da gramática Art Déco, mas também, devido à sua anterior fundação, notáveis exemplares ao gosto Art Nouveau.

 

 

Talvez esta jarra da Denbac, correspondente ao formato 156 e com cerca de 22,2 cm. de altura, seja um dos seus modelos Art Nouveau mais inovadores e surpreendentes.

 

Para outras peças desta fábrica francesa, e ligação a um catálogo da sua produção, vejam-se os artigos anteriormente publicados: https://mfls.blogs.sapo.pt/tag/denbac.

 

 

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Setembro 01 2018

 

Azulejo em relevo, com cerca de  15,5 cm. de lado, ostentando a marca Sacavém no tardoz.

 

Para além do motivo, que concede à flor-de-lis um tratamento ao gosto Art Nouveau, com um relevo mais profundo do que o habitual na azulejaria da FLS, este exemplar tem ainda a particularidade de apresentar a sua tonalidade azulada aplicada a aerógrafo.

 

Entrando hoje no seu décimo ano de publicação, periódica e regular, o espaço MAFLS continuará a divulgar, semanalmente, peças de cerâmica portuguesa e eventos relacionados com a mesma.

 

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Janeiro 07 2018

 

Jarras em faiança, com cerca de 20,4 cm. e 11,7 cm. de altura, produzidas na fábrica Arfai, Alcobaça.

 

Não apresentando qualquer marca, e provavelmente destinados à exportação, estes dois modelos documentam, já no dealbar do século XXI, um revivalismo da centenária gramática Art Nouveau e a preferência por um vidrado verde semi-mate característico também de alguma produção internacional desenvolvida, à época, nesse estilo, nomeadamente em fábricas como a sueca Gustafsberg e as norte-americanas Rookwood e Teco.

 

Evocativas de certas formas vegetais, mas sugerindo também, inequivocamente, formas fálicas, estas jarras recordam ainda, no que respeita a esta última característica, um modelo, o número 326, produzido, há cerca de cem anos, pela fábrica francesa Rambervillers. 

 

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Janeiro 05 2017

 

Pequena jarra, com cerca de 13,8 cm. de altura, em pasta feldspática.

 

Embora não apresente qualquer marca ou assinatura, quer o motivo quer a técnica decorativa desta peça remetem para o trabalho do consagrado Amalric Walter (1870-1959), que se celebrizou como ceramista, mas também, e principalmente, como escultor e mestre vidreiro na arte da pâte-de-verre (http://www.amalric-walter.net/).

 

O carácter distintivo desta jarra reside na sua pasta. Como se pode verificar na imagem, esta apresentava várias impurezas que, após cozedura, surgiram à superfície. Como é também evidente, a superficie não apresenta o craquelé característico do envelhecimento de vidrado da pasta de faiança, pasta habitualmente associada à produção de Walter na década de 1920.

 

Assim, caso esta peça tenha sido criada por Walter, como é muito provável, poder-se-á especular que estaremos perante uma obra de final da década de 1890 ou princípios da década seguinte, quando o artista, após ter colaborado com a Manufacture de Sèvres, que abandonou para cumprir o serviço militar, manteve um atelier cerâmico independente nesta localidade.

 

Depois de estabelecer um outro atelier de cerâmica e vidro em Paris, Walter passou a colaborar com a célebre fábrica de vidro dos irmãos Daum entre 1903 e 1914.

 

Aliás, como já tivemos oportunidade de verificar aqui (http://mfls.blogs.sapo.pt/51916.html), os motivos em que as árvores e a vegetação se enquadram numa paisagem lacustre, ou fluvial, de inspiração simbolista, surgiram também com frequência na produção da fábrica Daum daquelas décadas.

 

 

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Dezembro 25 2016

 

Duas jarras em grés produzidas na fábrica francesa Denbac.

 

Em cima, pequeno exemplar com cerca de 12,2 cm. de altura, ostentando o número 32, que corresponde ao formato e à sua catalogação. 

 

Apresenta o característico vidrado microcristalino da empresa escorrendo em três tonalidades sobre uma forma com sinuosas linhas, de inspiração vegetal, ao gosto Art Nouveau.

 

 

Jarra, que poderia também ser usada como base de candeeiro embora não apresente qualquer perfuração para esse fim, com cerca de 28,8 cm. de altura.

 

Ostenta o número 50 e o vidrado microcristalino, predominantemente em tons de verde e azul, que habitualmente se associa aos clássicos escorridos da Denbac.

 

Consulte-se informação sobre a empresa, e vejam-se mais alguns exemplares da produção Denbac, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/denbac.

 

 

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