Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Abril 08 2017

 

Duas pequenas placas de suspensão, em relevo, produzidas em faiança pela Elias & Paiva, Alcobaça.

 

Apresentando texto e paisagens executadas com pintura manual livre, documentam uma reduzida opção cromática e ostentam motivos campestres com variantes muito limitadas.

 

 

Este tipo de placas com epigramas, particularmente populares no pós-guerra e nas décadas de 1950 e 1960, assumiram as mais diversas decorações e formatos, sendo comercializadas por diferentes fábricas portuguesas.

 

Note-se como estes epigramas podem ser conotados com uma certa filosofia de vida promovida pelo Estado Novo, reformulada segundo parâmetros supostamente associados à sabedoria popular.

 

O número 401 refere o formato, não a decoração, pois repete-se nos dois exemplares.

 

 

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Março 27 2016

 

Frasco para perfume, com cerca de 10,8 cm. de altura, em faiança da Elpa, Alcobaça.

 

O motivo patente nesta peça insere-se num conjunto de representações femininas estilizadas, por vezes ingénuas ou mesmo kitsch, que se vulgarizam nalguma cerâmica europeia das décadas de 1950 e 1960, particularmente em certas faianças francesas e italianas.

 

 

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Outubro 31 2015

 

Cinzeiro em faiança, com cerca de 2,5 x 10,4 x 12,9 cm., produzido na fábrica Elpa, de Alcobaça.

 

A decoração deste exemplar ilustra a variante de um motivo denominado Athenea na produção da OAL, uma empresa também de Alcobaça, embora muitas outras fábricas portuguesas tenham comercializado diferentes variantes, como se pode verificar aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/decora%C3%A7%C3%A3o+tipo+athenea.

 

Recorde-se que Maria Andrade, a autora de Arte, Livros e Velharias (http://www.artelivrosevelharias.blogspot.pt/), referenciou ainda esta decoração em peças da Estatuária, de Coimbra.

 

Note-se, contudo, como este motivo dourado é diferente daquele que surge no conjunto de chávena e pires anteriormente apresentado (http://mfls.blogs.sapo.pt/215177.html) e é mais semelhante àquele que surge numa peça assinada apenas Vicrilana (http://mfls.blogs.sapo.pt/243762.html), a qual também terá sido produzida na Elpa.

 

A legenda manuscrita Recordação de Arêgos remete para a tradição dos souvenirs associados às estâncias balneares e termais, tradição que no caso destas últimas estava já bem consolidada nas últimas décadas do século XIX, particularmente na Europa central, como se pode constatar em inúmeras peças de vidro e cerâmica produzidas nessa época.

 

As Caldas de Aregos (http://www.termas-caldasdearegos.com/website/) são uma estância termal do concelho de Resende, cujo alvará de concessão foi atribuído em 20 de Junho de 1909, embora haja referências à utilização terapêutica das suas águas que remontam ao tempo de D. Afonso Henriques (c.1109-1185; rei, 1143-1185) e da rainha D. Mafalda (1125-1158?).

 

Note-se, finalmente, como a marca Elpa agora reproduzida, combinando, a dourado, carimbo com logótipo e inscrição manuscrita, ainda não tinha surgido em nenhuma das peças anteriormente aqui apresentadas (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/elpa).

 

 

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Julho 21 2015

 

Tal como já foi aqui referido, a escritura de constituição da SPAL foi lavrada a 21 de Julho de 1965.

 

A Sociedade de Porcelanas de Alcobaça teve como fundadoras as empresas Elias & Paiva, Lda., Olaria de Alcobaça, Lda., Raul da Bernarda & Filhos, Lda., e ainda Joaquim Augusto Coelho Ferreira da Bernarda.

 

O capital social de constituição ascendia a 9.000.000$00, estando distribuído pelas seguintes quotas – Elias & Paiva, Lda., 3.000.000$00; Olaria de Alcobaça, Lda., 3.000.000$00; Raul da Bernarda & Filhos, Lda., 2.100.000$00; e Joaquim Augusto Coelho Ferreira da Bernarda, 900.00000.

 

À data de constituição da sociedade apenas cinquenta por cento deste capital se encontrava realizado, tendo sido estipulado que os restantes quatro milhões e quinhentos mil escudos deveriam dar entrada na caixa social até 31 de Dezembro daquele ano.

 

 

Contrastando com o sóbrio e tristonho pin que a SPAL escolheu para assinalar o seu cinquentenário, o qual está ilustrado no início deste artigo, nada melhor do que reproduzir uma das suas decorações mais feéricas para sublinhar a habitual excelência da maioria da produção da empresa.

 

Em sintonia com tal contraste, intitula-se este motivo Paradoxo. Surge aqui ilustrado num conjunto de pires e chávena de café, peças que ostentam a versão IV desta decoração comercializada na década de 1990.

 

O motivo Paradoxo apresentava diferentes composições geométricas onde se inscreviam combinações cromáticas, semelhantes a esta, sumptuosamente complementadas a ouro.

 

Veja-se como a decoração desta série pode perfeitamente competir com alguns dos motivos das célebres Espresso Sammeltasse, no formato "Cupola" concebido por Mario Bellini (n. 1935), comercializadas também na mesma década pela conceituada fábrica alemã Rosenthal: http://www.rosenthal.de/en/shop/brands/studio-line-2-en/gifts-and-accessories-en/espresso-collectors-cups-en/.

 

 

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Maio 23 2013

 

Caixa em faiança apresentando decoração com pintura manual policromática, e dourado, sobre o vidrado.

 

Como foi possível observar anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/decora%C3%A7%C3%A3o+tipo+athenea), quer a FLS quer a Elpa, de Alcobaça, produziram cerâmica com motivos semelhantes a este. Para além destas duas empresas, também uma outra fábrica de Alcobaça, a OAL, produziu um motivo semelhante, que designou por Athenea.

 

Esta peça, com cerca de 17,8 x 19,5 x 13,2 cm., apenas apresenta a marca manuscrita a dourado que se reproduz abaixo. Ao contrário do que se poderia pensar, a marca não corresponde a uma fábrica mas sim à antiga loja Vicrilana, que comercializava vidros, cristais e outros artigos decorativos na Rua da Palma, em Lisboa.

 

Hoje em dia ainda subsiste uma loja com esta designação, no número 203 da Avenida Almirante Reis, em Lisboa.

 

Atendendo às particularidades florais e cromáticas que distinguem os motivos executados em cada uma das fábricas, é muito provável que esta caixa tenha sido executada na Elpa.

 

 

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Dezembro 26 2012

 

Chávena de café e pires apresentando decoração com pintura manual policromática, e dourado, sobre o vidrado.

 

Como se viu anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/214146.html) este poderia parecer um exemplo de um motivo da FLS, mas efectivamente trata-se de um conjunto executado pela fábrica Elpa, de Alcobaça.

 

 

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Dezembro 18 2012

 

Açucareiro decorado com pintura manual policromática, e dourado, sobre o vidrado.


Este modelo será posterior a 1950, pois o seu formato não se encontra representado no catálogo de Maio desse ano.


Um motivo semelhante a este foi também comercializado pela fábrica Elpa, de Alcobaça, sob o número 1283.


Veja-se um canjirão da FLS, com decoração semelhante a esta mas com o motivo floral dourado igual ao da Elpa, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/87682.html.

 

 

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Novembro 28 2010

 

Figura de urso polar, em faiança com vidrado brilhante, da empresa Elias & Paiva.

 

Esta figura é já característica das décadas de 1950 e 1960, quando a fábrica reduziu a sua produção de formatos e decorações tradicionais a fim de seguir uma política de exportação para a Europa e EUA, embora seja reminiscente de um urso polar modelado por Edouard Lefèbvre (datas desconhecidas) para ser comercializado como ampara-livros (número 83) pela fábrica francesa Onnaing nas décadas de 1920 e 1930.

 

Compare-se ainda este urso polar com um outro da FLS reproduzido em: http://mfls.blogs.sapo.pt/19560.html.

 

A Elias & Paiva, Elpa, foi constituída por escritura de 19 de Janeiro de 1946, com o capital social de 50.000$00, dividido equitativamente em cinco acções de 10.000$00 em nome de Manuel António Rodrigues, Joaquim Elias Baptista Paiva, António Elias da Silva, Bernardo Matias Coelho e António Lopes Vieira. A 13 de Março de 1950 Manuel António Rodrigues tranferiu a sua participação na empresa para Bernardo Matias Coelho (3.300$00), António Elias da Silva (3.300$00) e Joaquim Elias Baptista Paiva (3.400$00).

 

Em 1969 a empresa veio a adquirir a fábrica Pereira & Lopes, onde António Elias da Silva trabalhara na década de 1940, mas acabou por encerrar em 2001. A propósito desse encerramento, o jornal Público, de 8 de Janeiro de 2002, veiculou a seguinte notícia:

 

"Alcobaça / Cerâmica Elias com salários em atraso

Mais de 300 trabalhadores da cerâmica Elias e Paiva, em Alcobaça, reclamaram ontem o pagamento dos salários em atraso e de indemnizações durante uma marcha de cinco quilómetros até à residência de um dos administradores. Os operários da empresa, que encerrou em meados de Dezembro, exigem o pagamento do ssalários de Outubro, Novembro e Dezembro e as indemnizações em dívida, responsabilizando a administração da fábrica pelos [sic] falência. A direcção da Elias e Paiva alegou "problemas económicos" e "falta de dinheiro para investir na reestruturação da empresa" como justificações para o encerramento."

 

 

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Setembro 19 2010

 

Jarra com decoração policromada, sob o vidrado, e filete a ouro, sobre o vidrado.

 

Fundada em 1944, na localidade de Valado de Frades, Alcobaça, a fábrica Pereira & Lopes veio a integrar a empresa Elias & Paiva, ELPA, em 1969.

 

Esta decoração, com representações arquitectónicas organizadas em função da forma da peça, evoca claramente a decoração das bases de candeeiro, particularmente o modelo P955, que Ferreira da Silva (n. 1928) desenvolveu para a Secla durante a década de 1950.

 

O formato da jarra, contudo, assume-se como uma versão simplificada, visto que as peças de Ferreira da Silva surgem perfuradas e apresentam excrescências escultóricas.

 

 

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