Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Janeiro 04 2015

 

Pequena jarra em faiança, com cerca de 10,4 cm. de altura, marcada Volkmar.

 

Nascido nos EUA, mas com ascendência alemã, Charles Volkmar (1841-1914) começou por ser um pintor, essencialmente paisagista, que acabou por se consagrar como notável ceramista.

 

Efectuou estudos de pintura em França, tendo ainda vindo a estagiar, durante a década de 1870, com o célebre Théodore Deck (1823-1891; cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/212524.html), e a colaborar na renomada empresa de porcelanas Haviland (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/haviland).

 

Particularmente apreciado pelos seus azulejos e placas cerâmicas, Volkmar criou também outras peças em que a pintura paisagista marcava o seu estilo decorativo. Do ponto de vista empresarial, teve um percurso atribulado, com participação em inúmeras sociedades, que quase sempre implicaram mudanças dos centros de produção e utilização de diferentes fornos cerâmicos.

 

Assim, em 1879 começou por estabelecer um forno em Long Island, tendo-se depois transferido, em 1882, para Bronx, sempre no estado de New York. Em 1888 tranferiu-se uma vez mais, agora para Menlo Park, no vizinho estado de New Jersey. Em 1895 mudou novamente de localização, instalando-se desta vez em Brooklyn.

 

Em 1903, efectuou nova mudança para Metuchen, NJ, onde lançou uma empresa com o seu filho Leon (1879-1959), a qual acabou por ser dissolvida em 1911. Leon passou então a colaborar na recém-constituída Durant Kilns Pottery, empresa que acabou por adquirir em 1924 e manteve, com essa designação, até 1930.

 

Esta pequena jarra ilustra uma simples decoração escorrida, comum a várias outras cerâmicas,  europeias e americanas, do período Art Nouveau, que em Portugal quase sempre está associada à produção de Rafael (1846-1905) e Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920) e, de forma mais genérica, à produção das Caldas da Rainha.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 00:01

Dezembro 31 2014

 

Estabelecida em 1899, a empresa americana que produziu esta jarra recebeu o nome dos seus dois fundadores, John Peters (datas desconhecidas) e Adam Reed (datas desconhecidas).

 

A primeira produção em série da fábrica Peters & Reed deu-se com a linha Moss Aztec, uma loiça vidrada no interior mas não no exterior, com um acabamento exterior verde mate que acentuava a decoração moldada e justificava a designação moss (musgo).

 

Seguiram-se-lhe várias outras linhas, já com acabamento vidrado, mate ou brilhante, de entre as quais se devem destacar aquelas que correspondem às decorações Landsun e Chromal.

 

Esta última, produzida nas décadas de 1900 e 1910 e ilustrada pelo exemplo apresentado acima, uma jarra com cerca de 24,6 cm. de altura, sem marca perceptível, é eventualmente a mais interessante da fábrica.

 

Dado que o processo de decoração em relevo não era mecânico, cada uma destas peças acaba por apresentar um aspecto único, claramente evocativo, nos seus melhores exemplos, de alguma pintura impressionista.

 

A fábrica recebeu nova designação em 1921, passando a chamar-se The Zane Pottery Company, que incorporava a abreviatura de Zanesville, localidade do Ohio onde a fábrica se situava. Ao contrário do que acontecia anteriormente, as peças deste período passaram então a ser identificadas através de uma marca impressa na pasta.

 

Em 1941 a Zane Pottery acabou por ser adquirida pela Gonder Pottery, a qual por sua vez encerrou em 1957.

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 00:01

Dezembro 26 2014

 

Originalmente estabelecida em 1814, com a designação de Hill Pottery, no estado de New Jersey, Estados Unidos, a fábrica apenas adoptou a designação Fulper depois do falecimento do seu fundador, Samuel Hill (?-1858), e da sua subsequente venda.

 

Adquirida por um dos trabalhadores, Abraham Fulper (1815-1881), a empresa passou a adoptar a designação Fulper já na década de 1860. Embora mantivesse a designação, a partir de 1935 a fábrica passou a produzir material e design Stangl, o apelido de um funcionário (Johann Martin Stangl, 1888-1972) admitido em 1910 que entretanto se tornara vice-presidente a partir de 1924 e seu proprietário a partir de 1929. A fábrica Stangl acabou por cessar a sua produção em 1978, quando foi adquirida pela empresa Pfaltzgraf.

 

A produção artística da fábrica Fulper começou na viragem para o século XX, tendo registado grande sucesso até à década de 1930. Recentemente, vários coleccionadores e comerciantes têm vindo a resgatar a memória do design e da qualidade dos vidrados, sublinhando particularmente a mestria da sua componente cristalina.

 

A jarra ilustrada, com cerca de 16,6 x 29,2 cm., exemplifica as variantes de vidrado microcristalino, mate e brilhante, que se podem encontrar numa só peça e o sentido escultórico da produção Fulper, que vagueou entre os estilos Arts & Crafts, Art Nouveau e Art Déco.

 

Este formato foi também comercializado pela fábrica inglesa Denby (http://mfls.blogs.sapo.pt/twelve-days-in-twelve-hours-iv-295024) numa versão com cerca de menos dois centímetros de altura e três de largura, o que poderá indiciar que esta fábrica adoptou o modelo da Fulper.

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 00:01

Janeiro 05 2013

 

 

Fundada em 1872, a fábrica Weller produziu durante o final do século XIX e princípios do século XX cerâmica com características decorativas semelhantes às de outras consagradas fábricas americanas, todas fundadas posteriormente, como a Owens (1895), a Roseville (http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/84598.html) e a Rookwood (http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/87433.html).

 

Muito similar à série Eocean, a série Louwelsa tornou-se a imagem de marca da companhia no final do século XIX, depois de esta ter adquirido a fábrica homónima em 1895.

 

Entre 1903 e 1904, Frederick Hurten Rhead (1880-1942) desenvolveu também algumas linhas decorativas de sucesso, nos poucos meses em que permaneceu na fábrica, antes de se mudar para a rival Roseville. 

 

Posteriormente, várias outras decorações contribuíram para o reconhecimento da cerâmica artística criada na fábrica Weller, sendo uma das mais famosas a linha Sicard(o), desenvolvida entre 1902 e 1907 pelo ceramista francês Jacques Sicard (1865-1923).

 

 

Sicard adaptou uma técnica de vidrado de reflexos metálicos irisados, aperfeiçoada desde 1889 em França pelo seu compatriota Clement Massier (1845-1917), de quem tinha sido discípulo, criando exemplares como o que se apresenta neste artigo, uma jarra com cerca de 18 cm. de altura, cujo motivo floral principal, um crisântemo, não deixa de remeter para uma certa influência decorativa nipónica.

 

Apesar do reduzido sucesso de vendas e da alta percentagem de peças de refugo (cerca de 70% da produção), o que tornou estas peças muito escassas, uma técnica semelhante foi mais tarde retomada e adaptada, na própria fábrica Weller, por John Lessel (?-1926), que lançou a decoração LaSa

 

Na sequência da II Grande Guerra, como aconteceu com outras empresas cerâmicas europeias e americanas, a fábrica entrou em declínio, acabando por encerrar em 1948.

 

Conheça mais alguns exemplos das peças Weller em: http://wisconsinpottery.org/Weller/weller2001show/index.htm.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 00:01

mais sobre mim
Abril 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
12
13
14

16
17
18
19
20

22
23
24
25
26
27
28

29
30


pesquisar
 
subscrever feeds