Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Março 13 2014

 

Fotografia publicada na revista Ilustração, número 84, 4.º ano, de 16 de Junho de 1929, destacando um aspecto da representação da FLS patente no Pavilhão de Portugal construído para a Exposição de Sevilha realizada nesse ano.

 

A legenda que acompanha a fotografia é a seguinte – "O stand da antiqüissima Fábrica de Loiça de Sacavem no Pavilhão de Portugal, onde se expõem primores em azulejos, faiança artística, serviços domésticos, etc."

 

Vejam-se alguns bilhetes postais alusivos ao Pavilhão de Portugal aqui: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/tag/sevilha+1929.

 

© MAFLS

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Setembro 02 2010

 

(continuação)

 

"Foi na Fábrica de Louça de Sacavém que o artista [Jorge Colaço] começou a trabalhar em azulejos, e dali saíram os seus panneaux decorativos dos Passos Perdidos da Escola Médica de Lisboa, e em seguida os do Hotel do Bussaco, da Estação dos Caminhos de Ferro no Pôrto, já feitos com um processo de trabalho diferente. A par da sua vida de ceramista, continuou mais tarde a colaborar em jornais de caricaturas, fundando o "Talassa", que começou em 1913, e acabou a 14 de Maio de 1915. Nesta familiar descrição que o mestre nos faz, ressurgiu-nos [sic] os seus últimos trabalhos realizados para a Exposição do Rio de Janeiro, Sevilha, etc. A Ala dos namorados, In Hoc Signo Vinces, e tantos outros. Nas molduras que orlam êstes quadros, domina o baroco [sic], que em Portugal ficou quási inteiramente livre de exagêros. É já tempo de deixar o mestre novamente entregue à sua obra; e por isso, despedimo-nos de aquela figura típica de artista sempre de negro, barbicha quichotesca, grande laço preto a emmoldurar-lhe a expressão."

 

in Como se Trabalha em Azulejos, artigo publicado no magazine Civilização, número 44, de Fevereiro de 1932.

 

 

Pavilhão de Portugal na Exposição de Sevilha de 1929.

 

© MAFLS

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Setembro 02 2010

 

Fotografia de Jorge Colaço (1868-1942), reproduzida no magazine Civilização, número 44, de Fevereiro de 1932.

 

Nesse número, José Dias Sanches (1903-1972) assinou um artigo intitulado Como se Trabalha em Azulejos, onde se referem os trabalhos de Alves de Sá (1878-1872), Jorge Colaço, Leopoldo Battistini (1865-1936), Viriato Silva (datas desconhecidas), Jorge Pinto (1900-1983), Conceição e Silva (datas desconhecidas), Vitória Pereira (datas desconhecidas) e Eduardo Leite (datas desconhecidas), com particular destaque para os três primeiros que, aliás, têm os seus retratos aí reproduzidos.

 

Transcreve-se desse artigo a passagem referente a Jorge Colaço:

 

"Visitemos agora mestre Jorge Colaço. O nosso espírito sente-se deslumbrado ao contemplar os seus quadros, de um azul penetrante e de uma técnica bem diferente da antiga. A nossa insatisfeita curiosidade pretende saber alguma coisa da sua vida. E a sua bonomia atende-a amàvelmente. Discípulo do grande mestre francês Fernand Cormou [1845-1924], estudou em Paris durante seis anos, regressando depois a Marrocos, onde nasceu, e onde se deixou enfeitiçar pelos sports regionais, abandonando os motivos que o podiam sugestionar para a realização dos quadros. Aproximou-se êste artista do nosso país, em virtude de seu pai ser o representante de Portugal em Marrocos.

 

Mais tarde seduziu-se novamente pela pintura, tentando realizar uma exposição no Brasil, o que só mais tarde levou a efeito.

 

Tomada de Lisboa. Painel de azulejos que obteve medalha de ouro na Exposição de Sevilha de 1929. Magazine Civilização, Fevereiro de 1932.

 

Travando conhecimento com Silva Graça [1858-1931], êste propôs-lhe a direcção de um jornal humorístico. Entretanto era eleito presidente da Direcção da Sociedade Nacional de Belas-Artes, alcançando no fim do desempenho de êsse cargo a concessão do terreno para nêle ser edificada a actual sede. Essa concessão obteve-a pondo em prática o seu lápis de humorista. Caindo nas mãos do parlamento, o projecto que autorizava a construção do edifício não conseguia obter despacho favorável. Decidiu-se Jorge Colaço a fazer um requerimento humorístico para o desemperrar.

 

Compôs uma caricatura, que representava um circo romano, encontrando-se no lugar de César o Conselheiro João Franco [1855-1929], e desempenhando o papel de mártir o mestre Jorge Colaço. O instrumento de suplício era o projecto, e os espectadores que se alinhavam nas bancadas, os deputados, que pediam clemência para o mártir. Com o sêlo da praxe, lá seguiu o risonho pedido, que em sessão foi criticado com um sussurro de gargalhadas. E assim conseguiu obter a aprovação. Tendo realizado a sua viagem ao Brasil, em 1908, por eleição dos seus colegas de Lisboa e Pôrto, como delegado artístico à Exposição Nacional, organizada pela República Brasileira, para comemorar a abertura dos portos ao comércio por D. João VI [1767-1826], obteve naquele país êxito memorável."

 

(continua)

 

 

Pavilhão de Portugal na Exposição de Sevilha de 1929.

 

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