Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 10 2013

 

A propósito das alterações que durante as décadas de 1960 e 1970 se fizeram no equipamento e na produção das fábricas portuguesas de cerâmica, e das referências a esse assunto que Clive Gilbert (n. 1938) fez no mais recente artigo das suas Memórias (http://mfls.blogs.sapo.pt/261086.html), apresenta-se hoje um prato que celebra a inauguração do forno Riedhammer de cozedura rápida na Vista Alegre.

 

A empresa alemã Riedhammer, fundada em 1924 e actualmente integrada no grupo empresarial italiano SACMI (http://www.sacmi.com/Default.aspx?ln=en-US), ainda hoje é uma das líderes de mercado no equipamento especializado para fábricas cerâmicas, tendo fornecido mais de 8.000 unidades industriais em todo o mundo, podendo saber-se mais sobre os seus produtos aqui: http://www.riedhammer.de/default.aspx?ln=en-US

 

Aproveita-se a oportunidade para divulgar três marcas da VA que não são muito comuns nem são habitualmente reproduzidas nos livros e catálogos relativos à fábrica.

 

                    

 

A primeira corresponde à já conhecida dupla marcação da SP, sob o vidrado, e da VA, sobre o vidrado, sendo a marca VA do período 1947-1968, período em que esta dupla marcação não era muito comum, como já foi referido (http://mfls.blogs.sapo.pt/129589.html). Encontra-se aplicada num conjunto de loiça infantil formato Angola da SP, formato relançado na década passada pela VA com algumas peças monocromáticas avulsas, e tem a particularidade de apresentar uma tonalidade verde-água pouco vulgar.

 

A segunda é uma variante da marca correspondente ao período de 1968 a 1971, surgindo predominantemente na loiça destinada à hotelaria. Encontra-se aplicada num prato de sobremesa formato Sagres, a linha que durante décadas foi um sucesso de vendas nos fornecimentos de hotelaria e restauração da VA, produzido para a antiga Albergaria dos Condes de Barcelos, em Barcelos.

 

A terceira corresponde à celebração dos cento e sessenta anos da fundação da VA, encontrando-se aplicada num conjunto relevado de pires e chávena de café com decoração a dourado.

 

A marca patente no prato comemorativo que hoje se apresenta corresponde, como é óbvio e se pode verificar abaixo, ao período de 1971 a 1980.

 

 

© MAFLS

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Outubro 15 2012

 

Cinzeiro do último período da FLS com decoração e legendagem aplicada sobre o vidrado. 

 

Conhece-se a aplicação da mesma imagem central, com outras datas comemorativas da FLS, em diversos cinzeiros do mesmo formato. Um desses exemplares, com a data de 1988, pode ser visto no segundo volume do catálogo da exposição Porta Aberta às Memórias, realizada no MCS em 2008.

 

Note-se como a inscrição na coroa de louros perpetua a ideia da fundação da FLS em 1850.

 

 

© MAFLS

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Abril 18 2012

© MCS/CDMJA 

 

Capa do exemplar existente no CDMJA/MCA da tabela de preços de loiças domésticas editada em Janeiro de 1932.

 

No interior desse exemplar surge a seguinte inscrição, manuscrita: 

 

"As tabelas que haviam da n/ fabrica / eram antiquissimas e eu como tinha uma / feita para mim, pediu-me o meu grande / e saudoso patrão e grande meu amigo / que era o já falecido, Exmo. Senhor / Herbert Gilbert, para fazer uma e dar-lhe / para ele mandar fazer eguaes.

 

Assim as mandou fazer e o primeiro / exemplar ou seja este, veio acompanhado / duma sua nota a oferecer-mo e um / envelope nessa altura com quinhentos / escudos (500$00) o que eu nunca / esperava e lhe agradeci e que em tudo / não esquecerei.

 

José Aníbal da Costa Abreu

 

=1972= (rubrica) "

 

Esta imagem foi utilizada para ilustrar um dos textos do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005.

 

A sua reprodução é uma cortesia do Museu de Cerâmica de Sacavém / Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso.

 

© MAFLS

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Setembro 06 2010

Legenda original, no artigo: "O novo forno, que tem 85 metros de comprimento [e] 6 d'alto."

 

Transcreve-se de seguida, integralmente, o artigo Uma Festa Operária publicado na revista Ilustração Portuguesa, número 346, de 7 de Outubro de 1912:

 

"A vida do trabalhador vae-se modificando por toda a parte. Ha sempre uma grande lição a tirar das relações entre o proletariado e o capitalismo. São eles unidos que fomentam a riqueza e se equilibram. As festas de trabalhadores em que tomam parte n'uma confraternisação comovente ficam sempre assinaladas como promessas de bom futuro.

 

Realisou-se ha dias na fabrica de louça de Sacavem uma d'essas festas em que o proprietario do grande estabelecimento, sr. Gilman, se mostrou um devotado amigo dos seus operarios, aos quaes ofereceu o seu retrato, com as palavras do maior carinho.

 

Legenda original, no artigo: "A' entrada do novo forno [17?]: As vagonetas da louça."

 

Inaugurou-se tambem no mesmo dia na fabrica um grande forno para cosedura [sic], o que representa um importante melhoramento na industria da louça d'aquela fabrica já classica em Portugal.

 

O sr. Gilman passou entre os seus operarios e de todos ouviu os mais entusiasticos aplausos, sendo uma verdadeira confraternisação essa festa do industrial e dos seus obreiros.

 

As raparigas empregadas nas oficinas fizeram tambem uma calorosa recéção ás senhoras da familia Gilman e ás suas convidadas, sendo tocante e enternecedor esse espetaculo nas vastas dependencias e nos terrenos da fabrica no dia da festa aos trabalhadores dedicada."

 

Legenda original, no artigo: "Uma operaria da fabrica, transportando louça."

 

Todas as fotografias que ilustram o artigo, e foram aqui reproduzidas, são da autoria de Joshua Benoliel (1873-1932).

 

© MAFLS

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