Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 02 2010

 

(continuação)

 

"Foi na Fábrica de Louça de Sacavém que o artista [Jorge Colaço] começou a trabalhar em azulejos, e dali saíram os seus panneaux decorativos dos Passos Perdidos da Escola Médica de Lisboa, e em seguida os do Hotel do Bussaco, da Estação dos Caminhos de Ferro no Pôrto, já feitos com um processo de trabalho diferente. A par da sua vida de ceramista, continuou mais tarde a colaborar em jornais de caricaturas, fundando o "Talassa", que começou em 1913, e acabou a 14 de Maio de 1915. Nesta familiar descrição que o mestre nos faz, ressurgiu-nos [sic] os seus últimos trabalhos realizados para a Exposição do Rio de Janeiro, Sevilha, etc. A Ala dos namorados, In Hoc Signo Vinces, e tantos outros. Nas molduras que orlam êstes quadros, domina o baroco [sic], que em Portugal ficou quási inteiramente livre de exagêros. É já tempo de deixar o mestre novamente entregue à sua obra; e por isso, despedimo-nos de aquela figura típica de artista sempre de negro, barbicha quichotesca, grande laço preto a emmoldurar-lhe a expressão."

 

in Como se Trabalha em Azulejos, artigo publicado no magazine Civilização, número 44, de Fevereiro de 1932.

 

 

Pavilhão de Portugal na Exposição de Sevilha de 1929.

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Setembro 02 2010

 

Fotografia de Jorge Colaço (1868-1942), reproduzida no magazine Civilização, número 44, de Fevereiro de 1932.

 

Nesse número, José Dias Sanches (1903-1972) assinou um artigo intitulado Como se Trabalha em Azulejos, onde se referem os trabalhos de Alves de Sá (1878-1872), Jorge Colaço, Leopoldo Battistini (1865-1936), Viriato Silva (datas desconhecidas), Jorge Pinto (1900-1983), Conceição e Silva (datas desconhecidas), Vitória Pereira (datas desconhecidas) e Eduardo Leite (datas desconhecidas), com particular destaque para os três primeiros que, aliás, têm os seus retratos aí reproduzidos.

 

Transcreve-se desse artigo a passagem referente a Jorge Colaço:

 

"Visitemos agora mestre Jorge Colaço. O nosso espírito sente-se deslumbrado ao contemplar os seus quadros, de um azul penetrante e de uma técnica bem diferente da antiga. A nossa insatisfeita curiosidade pretende saber alguma coisa da sua vida. E a sua bonomia atende-a amàvelmente. Discípulo do grande mestre francês Fernand Cormou [1845-1924], estudou em Paris durante seis anos, regressando depois a Marrocos, onde nasceu, e onde se deixou enfeitiçar pelos sports regionais, abandonando os motivos que o podiam sugestionar para a realização dos quadros. Aproximou-se êste artista do nosso país, em virtude de seu pai ser o representante de Portugal em Marrocos.

 

Mais tarde seduziu-se novamente pela pintura, tentando realizar uma exposição no Brasil, o que só mais tarde levou a efeito.

 

Tomada de Lisboa. Painel de azulejos que obteve medalha de ouro na Exposição de Sevilha de 1929. Magazine Civilização, Fevereiro de 1932.

 

Travando conhecimento com Silva Graça [1858-1931], êste propôs-lhe a direcção de um jornal humorístico. Entretanto era eleito presidente da Direcção da Sociedade Nacional de Belas-Artes, alcançando no fim do desempenho de êsse cargo a concessão do terreno para nêle ser edificada a actual sede. Essa concessão obteve-a pondo em prática o seu lápis de humorista. Caindo nas mãos do parlamento, o projecto que autorizava a construção do edifício não conseguia obter despacho favorável. Decidiu-se Jorge Colaço a fazer um requerimento humorístico para o desemperrar.

 

Compôs uma caricatura, que representava um circo romano, encontrando-se no lugar de César o Conselheiro João Franco [1855-1929], e desempenhando o papel de mártir o mestre Jorge Colaço. O instrumento de suplício era o projecto, e os espectadores que se alinhavam nas bancadas, os deputados, que pediam clemência para o mártir. Com o sêlo da praxe, lá seguiu o risonho pedido, que em sessão foi criticado com um sussurro de gargalhadas. E assim conseguiu obter a aprovação. Tendo realizado a sua viagem ao Brasil, em 1908, por eleição dos seus colegas de Lisboa e Pôrto, como delegado artístico à Exposição Nacional, organizada pela República Brasileira, para comemorar a abertura dos portos ao comércio por D. João VI [1767-1826], obteve naquele país êxito memorável."

 

(continua)

 

 

Pavilhão de Portugal na Exposição de Sevilha de 1929.

 

© MAFLS

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