Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Março 22 2010

 

Terrina formato Leiria decorada com decalcografia e filete a esmalte, sobre o vidrado.

 

Este modelo não se encontra reproduzido no Catálogo de Formatos de Loiças Domésticas, de Maio de 1950, pelo que, provavelmente, é um modelo posterior a esta data.

 

Na já citada obra A Cerâmica Portuguesa (1935), pronunciou-se assim um dos responsáveis da VA, João Teodoro Ferreira Pinto Basto (1870-1953), sobre o processo de decalcografia em Portugal e as decalcomanias:

 

"Para tornar possivel e facilitar a exportação, ha necessidade de baixar os direitos das tintas vitrificaveis, e das decalcomanias, que servem para ornamentar a louça. São direitos que pouco rendem ao Estado e que encarecem muito os produtos a exportar, mesmo os que se destinam ás colonias.

 

Não sendo pratico dar qualquer compensação de drawback á industria, devem as alfandegas prescindir dessa receita, para elas insignificante. Acresce que indubitavelmente se trata de materias primas da industria, sobre as quais não devem pesar direitos fortes.

 

 

As decalcomanias poderiam talvez ser impressas em Portugal, e não se deve pôr de parte essa ideia, mandando vir um gravador especializado para criar essa industria no País, onde, pelo concurso dos seus artistas, poderiam essas gravuras tomar vantajosamente uma feição artistica caracteristicamente nacional.

 

A uma fabrica só, não convem porém criar subsidiariamente essa industria.

 

O publico é exigente quanto á variedade de desenhos, e uma fabrica por si não teria capacidade para consumo de grandes series de cada desenho, como só vale a pena a sua impressão.

 

Assim, hoje, cada fabrica tem de adquirir decalques de todos os gostos, e em todas as fabricas estrangeiras.

 

Reputamos essa importação ainda em cerca de 800 contos anualmente.

 

Quanto ás tintas preparadas, outra materia prima da ceramica, não julgo a sua industria comercialmente adaptavel no País, conquanto o seu consumo aumente com a pintura á pistola, aplicação que em parte substitui o emprego de decalques.

 

O consumo nacional de tintas, nunca poderia compensar o capital a empregar em tão dispendiosa industria."

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Março 06 2010

 

Molheira decorada com decalcografia e filete a esmalte, sobre o vidrado.

 

Este modelo não se encontra reproduzido no Catálogo de Formatos de Loiças Domésticas, de Maio de 1950.

 

É provavelmente um modelo posterior a esta data, até porque a decoração com motivos outonais foi muito popular na  cerâmica europeia e americana do pós-guerra, tendo a VA produzido também peças com estes motivos.

 

É possível que estes motivos e estas tonalidades decorativas tenham tido grande divulgação e aceitação nos EUA na sequência do período de ocupação militar aliada do Japão, subsequente à II Guerra Mundial, e do regresso dos veteranos americanos.

 

 

A este propósito refira-se que, desse período (1945-1952), existem várias peças de cerâmica japonesa de exportação que ostentam a marca Made in Occupied Japan, normalmente impressa a esmalte sobre o vidrado.

 

O Outono e o peculiar colorido da folhagem nesse período, que em japonês se podem referir pela mesma palavra, momiji, são particularmente apreciados no Japão, onde, durante os séculos XIX e XX, surgiam frequentemente representados em xilogravuras.

 

O coleccionismo de xilogravuras japonesas teve, desde a segunda metade do século XIX, grandes entusiastas nos EUA, entre os quais o famoso arquitecto Frank Lloyd Wright (1867-1959; cf. http://en.wikipedia.org/wiki/Frank_Lloyd_Wright), que chegou a desenhar um serviço modernista de porcelana, com formas geométricas, para o Imperial Hotel (1923-1968; cf. http://en.wikipedia.org/wiki/Imperial_Hotel,_Tokyo), em Tóquio.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

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