Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Abril 07 2018

 

Pequena jarra, com decoração pintada à mão, em faiança da OAL, Olaria de Alcobaça.

 

 

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Dezembro 31 2016

 

Cinzeiro, com cerca de 9,6 x 15,9 x 2,7 cm., em faiança da OAL, Olaria de Alcobaça.

 

Este exemplar documenta uma curiosa conjugação da tradicional decoração floral da loiça de Alcobaça com um inesperado formato modernista.

 

Reminiscente de alguns exemplares modernistas alemães das décadas de 1920 e 1930, este formato teve também algumas variantes produzidas em Portugal, nomeadamente durante o período de administração da Fábrica do Carvalhinho pela Fábrica de Loiça de Sacavém.

 

 

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Fevereiro 13 2016

 

Jarra em faiança, com cerca de 22,4 cm. de altura, produzida e pintada à mão na Olaria de Alcobaça.

 

Apresentando ainda uma decoração com o característico azul da fábrica, assume-se como peça de transição para obras mais tardias, das décadas de 1950 e 1960, onde o dourado surge já com alguma frequência (http://mfls.blogs.sapo.pt/61886.html).

 

A profusão e a riqueza do dourado desta jarra não só criam um efeito feérico, que oscila ente o kitsch e o sumptuoso, como resultam numa peça invulgar em toda a produção da OAL.

 

Este exemplar foi exibido na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada em 2005 nos EUA.

 

 

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Outubro 31 2015

 

Cinzeiro em faiança, com cerca de 2,5 x 10,4 x 12,9 cm., produzido na fábrica Elpa, de Alcobaça.

 

A decoração deste exemplar ilustra a variante de um motivo denominado Athenea na produção da OAL, uma empresa também de Alcobaça, embora muitas outras fábricas portuguesas tenham comercializado diferentes variantes, como se pode verificar aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/decora%C3%A7%C3%A3o+tipo+athenea.

 

Recorde-se que Maria Andrade, a autora de Arte, Livros e Velharias (http://www.artelivrosevelharias.blogspot.pt/), referenciou ainda esta decoração em peças da Estatuária, de Coimbra.

 

Note-se, contudo, como este motivo dourado é diferente daquele que surge no conjunto de chávena e pires anteriormente apresentado (http://mfls.blogs.sapo.pt/215177.html) e é mais semelhante àquele que surge numa peça assinada apenas Vicrilana (http://mfls.blogs.sapo.pt/243762.html), a qual também terá sido produzida na Elpa.

 

A legenda manuscrita Recordação de Arêgos remete para a tradição dos souvenirs associados às estâncias balneares e termais, tradição que no caso destas últimas estava já bem consolidada nas últimas décadas do século XIX, particularmente na Europa central, como se pode constatar em inúmeras peças de vidro e cerâmica produzidas nessa época.

 

As Caldas de Aregos (http://www.termas-caldasdearegos.com/website/) são uma estância termal do concelho de Resende, cujo alvará de concessão foi atribuído em 20 de Junho de 1909, embora haja referências à utilização terapêutica das suas águas que remontam ao tempo de D. Afonso Henriques (c.1109-1185; rei, 1143-1185) e da rainha D. Mafalda (1125-1158?).

 

Note-se, finalmente, como a marca Elpa agora reproduzida, combinando, a dourado, carimbo com logótipo e inscrição manuscrita, ainda não tinha surgido em nenhuma das peças anteriormente aqui apresentadas (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/elpa).

 

 

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Julho 21 2015

 

Tal como já foi aqui referido, a escritura de constituição da SPAL foi lavrada a 21 de Julho de 1965.

 

A Sociedade de Porcelanas de Alcobaça teve como fundadoras as empresas Elias & Paiva, Lda., Olaria de Alcobaça, Lda., Raul da Bernarda & Filhos, Lda., e ainda Joaquim Augusto Coelho Ferreira da Bernarda.

 

O capital social de constituição ascendia a 9.000.000$00, estando distribuído pelas seguintes quotas – Elias & Paiva, Lda., 3.000.000$00; Olaria de Alcobaça, Lda., 3.000.000$00; Raul da Bernarda & Filhos, Lda., 2.100.000$00; e Joaquim Augusto Coelho Ferreira da Bernarda, 900.00000.

 

À data de constituição da sociedade apenas cinquenta por cento deste capital se encontrava realizado, tendo sido estipulado que os restantes quatro milhões e quinhentos mil escudos deveriam dar entrada na caixa social até 31 de Dezembro daquele ano.

 

 

Contrastando com o sóbrio e tristonho pin que a SPAL escolheu para assinalar o seu cinquentenário, o qual está ilustrado no início deste artigo, nada melhor do que reproduzir uma das suas decorações mais feéricas para sublinhar a habitual excelência da maioria da produção da empresa.

 

Em sintonia com tal contraste, intitula-se este motivo Paradoxo. Surge aqui ilustrado num conjunto de pires e chávena de café, peças que ostentam a versão IV desta decoração comercializada na década de 1990.

 

O motivo Paradoxo apresentava diferentes composições geométricas onde se inscreviam combinações cromáticas, semelhantes a esta, sumptuosamente complementadas a ouro.

 

Veja-se como a decoração desta série pode perfeitamente competir com alguns dos motivos das célebres Espresso Sammeltasse, no formato "Cupola" concebido por Mario Bellini (n. 1935), comercializadas também na mesma década pela conceituada fábrica alemã Rosenthal: http://www.rosenthal.de/en/shop/brands/studio-line-2-en/gifts-and-accessories-en/espresso-collectors-cups-en/.

 

 

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Janeiro 05 2014

 

Pequeno prato em faiança da Olaria de Alcobaça.

 

Note-se como as formas que partem do motivo floral central para o rebordo recordam os corações habitualmente conotados com a ourivesaria e os bordados do Minho.

 

 

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Outubro 27 2013

 

Prato de parede, com cerca de 23,3 cm. de diâmetro, apresentando decoração floral estilizada aplicada sobre stencil (chapa recortada).

 

A presente imagem consta do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, e é da autoria do fotógrafo João Francisco Vilhena (n. 1965).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

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Maio 31 2013

 

Pequena jarra em faiança, da Olaria de Alcobaça, decorada com o motivo Athenea.

 

Conforme se tem vindo a ilustrar (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/decora%C3%A7%C3%A3o+tipo+athenea), três fábricas portuguesas produziram motivos muito semelhantes entre si – a Elpa, a FLS e a OAL, tendo esta última indicado claramente nas suas peças a denominação do motivo, como se pode verificar abaixo.

 

Da produção das fábricas de Alcobaça conhecem-se ainda peças de toucador, nomeadamente pequenas cestas, que ostentam decoração monocromática verde no exterior e apresentam alças, ou outros complementos, em vime ou palhinha.

 

Note-se como, apesar de por vezes o fundo dourado ser semelhante, as representações florais, e as suas tonalidades, permitem distinguir a produção de cada uma das fábricas.

 

 

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Maio 23 2013

 

Caixa em faiança apresentando decoração com pintura manual policromática, e dourado, sobre o vidrado.

 

Como foi possível observar anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/decora%C3%A7%C3%A3o+tipo+athenea), quer a FLS quer a Elpa, de Alcobaça, produziram cerâmica com motivos semelhantes a este. Para além destas duas empresas, também uma outra fábrica de Alcobaça, a OAL, produziu um motivo semelhante, que designou por Athenea.

 

Esta peça, com cerca de 17,8 x 19,5 x 13,2 cm., apenas apresenta a marca manuscrita a dourado que se reproduz abaixo. Ao contrário do que se poderia pensar, a marca não corresponde a uma fábrica mas sim à antiga loja Vicrilana, que comercializava vidros, cristais e outros artigos decorativos na Rua da Palma, em Lisboa.

 

Hoje em dia ainda subsiste uma loja com esta designação, no número 203 da Avenida Almirante Reis, em Lisboa.

 

Atendendo às particularidades florais e cromáticas que distinguem os motivos executados em cada uma das fábricas, é muito provável que esta caixa tenha sido executada na Elpa.

 

 

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Janeiro 08 2012

 

Prato de parede reticulado, em faiança da Olaria de Alcobaça, pintado à mão sob o vidrado.

 

Conhecem-se estes mesmos versos aplicados também em pratos sem reticulado e em azulejos desta fábrica.

 

Aproveitando o exemplo datado da grafia deste texto, poderia anunciar-se a adopção neste espaço, a partir deste ano, da grafia preconizada pelo novo Acordo Ortográfico.

 

No entanto, como o período de transição se prolonga até 2015, os textos continuarão a ser publicados com uma grafia conservadora durante mais algum tempo.

 

 

 

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