Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Junho 24 2018

 

Em plena celebração das festas dos Santos Populares, reproduzem-se hoje dois exemplares da vasta série de sardinhas de autor que a fábrica Bordalo Pinheiro tem vindo a comercializar nos últimos anos.

 

A decoração da sardinha Farol foi concebida por Ana Sofia Gonçalves (n. 1979) e a da sardinha Preia-Mar por Filipa Oliveira (datas desconhecidas).

 

O formato destes exemplares surgia já nas peças criadas no século XIX por Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), seguindo a tradição cerâmica de Palissy (1510-c. 1590).

 

O conceito da sardinha enquanto ícone identitário do design contemporâneo português, comum às festas de Lisboa, à cerâmica das Caldas da Rainha e até a Portugal, foi propulsionado já no século XXI pelo gabinete Silva Designers (http://www.silvadesigners.com/).

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Março 28 2018

 

Numa invulgar operação de marketing e filantropia, a Fábrica Bordallo Pinheiro, das Caldas da Rainha, ofereceu esta semana duas peças de cerâmica à Junta de Freguesia do Areeiro e à cidade de Lisboa.

 

Em cerimónia que teve lugar no passado dia 26 de Março, uma escultura, de grandes dimensões, de um gato assanhado e uma peça de mobiliário urbano, um banco, também com um caracol de grandes dimensões, revestido a azulejos com motivos bordalianos, foram inauguradas na zona sul da Praça de Londres e num extremo da Rua Guerra Junqueiro.

 

 

A escultura do gato assanhado reproduz um modelo bordaliano criado em 1896. Na tarde do evento, foram oferecidas a alguns visitantes e clientes da loja Bordallo Pinheiro, na Rua Guerra Junqueiro, réplicas, de pequena dimensão, dessa figura.

 

Foram ainda distribuídos vouchers de 10% de desconto para aquisição de peças na mesma loja.

 

 

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Janeiro 13 2018

 

Pequena jarra bojuda, em pasta cerâmica vermelha e com cerca de 13 cm de altura, apresentando vidrado escorrido policromático.

 

Embora a marca não seja legível, parece corresponder a uma das marcas circulares da fábrica Bordalo Pinheiro, das Caldas da Rainha, do período posterior a Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920) e à Fábrica San Rafael.

 

 

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Maio 18 2016

 

Em cima, um prato em relevo, com cerca de 20,6 cm. de diâmetro, comercializado nas décadas de 1980 e 1990 mas apresentando um motivo característico da tradicional produção caldense que já vinha de décadas anteriores.

 

Em baixo, uma peça com cerca de 8,6 x 17,1 x 2,6 cm., que também pode ser utilizada como cinzeiro, comemorativa dos Encontros de Cerâmica Artística realizados em 1992.

 

 

Embora o Museu Bordalo Pinheiro, que não se dedica exclusivamente à cerâmica e abrange ainda o grafismo e outras vertentes da iniciativa e criatividade bordaliana, apenas tenha sido fundado em Agosto de 1916, em Lisboa, as celebrações do seu centenário iniciam-se hoje, para assinalar também o Dia Internacional dos Museus. 

 

Acompanhe as várias actividades do museu aqui: http://museubordalopinheiro.cm-lisboa.pt/.

 

 

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Agosto 31 2014

 

Pequena placa, com cerca de 6,4 x 2,7 cm., em argila vermelha brunida, de homenagem a Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905).

 

Modelada pelo seu discípulo Francisco Elias (1869-1937), como se verifica pela assinatura inscrita sob o busto, apesar de a data do sarau ser de 22 de Abril de 1906, esta parece ter sido uma peça evocativa dos 60 anos de nascimento de Rafael Bordalo Pinheiro, efeméride que decorrera a 21 de Março de 1906.

 

Para outras breves referências a Francisco Elias veja-se: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/francisco+elias.

 

 

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Dezembro 28 2013

 

Jarra em faiança, com cerca de 14 cm. de altura, replicando o famoso modelo bordaliano das jarras com rãs.

 

Produzida numa tonalidade que evoca o azul cobalto e se distingue claramente do azul actualmente utilizado nas peças originárias da fábrica Bordallo Pinheiro (http://www.bordallopinheiro.pt/), esta jarra não apresenta qualquer marca para além da indicação Portugal, como se vê abaixo.

 

Provavelmente originária de uma fábrica da região sudoeste das Caldas da Rainha, esta peça comercializa-se a cerca de um quarto do preço das peças que saem das instalações da Bordallo Pinheiro.

 

 

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Junho 13 2013

 

A propósito dos santos populares, de Santo António e das festas de Lisboa evoca-se hoje o património azulejar português e a memória de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), autor da iconografia do Zé Povinho aqui recriada, através da sardinha que Arminda Gomes Bernardino (datas desconhecidas) desenhou em 2012.

 

Apresentado pela primeira vez em 2003, este conceito da empresa Silvadesigners (http://www.silvadesigners.com/) tem-se consolidado como a imagem de marca das festas de Lisboa, alcançando projecção internacional ainda antes da implementação do primeiro concurso aberto a não profissionais, ocorrida em 2011.

 

No corrente ano foram submetidas a concurso 6.446 propostas, oriundas de 44 países, das quais se apuraram 151 finalistas que originaram 10 propostas premiadas – sete portuguesas, uma chilena, uma japonesa e uma italiana.

 

As primeiras sardinhas criadas pela empresa e as diversas criações posteriores, seleccionadas e premiadas desde que o conceito foi alargado a outros designers, podem ser vistas aqui: http://sardinhas.festasdelisboa.com/.

 

 

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Agosto 19 2012

 

Prato em faiança da fábrica Bordalo Pinheiro, Caldas da Rainha, decorado com motivos marinhos em relevo – algas, amêijoas, um berbigão, um pequeno búzio, mexilhões e percebes.

 

Característico, como se sabe, da produção oitocentista e novecentista de diversas fábricas caldenses, este tipo de decoração é muitas vezes enriquecido com a adição de diversos peixes e crustáceos.

 

Escrevendo em Os Gatos (seis volumes publicados entre 1889 e 1894; citação efectuada a partir do volume 6, editado em 1992 pelo Círculo de Leitores) sobre a cerâmica de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) e a visita que efectuou às Caldas da Rainha em 27 de Setembro de 1892, Fialho de Almeida (1857-1911) declarou:

 

"A cerâmica de Bordalo abrange artefactos de louça caseira ou decorativa, azulejos, telha de cores, etc., constituindo a produção usual da fábrica, e obras de escultura, que são na desabrochante curva da vida artística do meu amigo a terceira grande fase monumental do seu talento."

 

 

Com efeito, pratos como este, que foi certamente produzido depois do falecimento de Rafael e seu filho Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920), mas seguia modelos executados em vida dos artistas, traduzem a convergência da produção bordaliana face à tradição cerâmica Caldense, a qual vinha na linha dos modelos quinhentistas do ceramista francês Palissy (1510-c.1590). 

 

Fialho de Almeida prosseguiu o seu texto no sentido de destacar não estas peças mais vulgares mas sim as figuras monumentais da Paixão de Cristo, executadas por Rafael para as capelas da mata do Buçaco, e a talha manuelina que foi adquirida nesse ano pelo rei D. Carlos (1863-1908; rei, 1889-1908).

 

Mas a dimensão da genialidade criativa e inovadora de Rafael na cerâmica define-se ainda com a monumental jarra Beethoven, com as figuras de movimento, com as peças únicas dedicadas a homenagear diversas personalidades, com as figuras de escárnio e maldizer produzidas entre o episódio do Ultimato (1890) e a captura (1895) do régulo Gungunhana (c.1850-1906) e com as inúmeras outras peças de cerâmica decorativa que a fábrica executou.

 

Um conjunto de sete pratos da colecção Berardo, utilizando essencialmente variantes da decoração aqui apresentada, pode ser visto no catálogo da exposição O Universo de Rafael Bordalo Pinheiro: da Caricatura à Cerâmica, realizada no Museu do Douro em 2009.

 

 

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Abril 01 2012

     

 

Ama das Caldas em faiança da fábrica Belo, Caldas da Rainha, produzida no segundo quartel do século XX.

 

Trata-se de uma versão da célebre figura de movimento criada em 1897 por Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905).

 

Em Portugal esta imagem associa-se imediatamente a Rafael, mas será interessante sublinhar que em Inglaterra existe uma versão intitulada The Brighton Wet Nurse, por alusão à famosa banheira dessa localidade, Martha Gunn (1726-1815), comercializada com a marca Rye B4.

 

Tendo Rafael exibido as suas criações na Exposição Universal de Paris, de 1889, onde a sua obra foi elogiada pelo curador do Museu de Sèvres, Edouard Garnier (datas desconhecidas), e na Feira Mundial de St. Louis, de 1904, e tendo-se também deslocado com seu filho Manuel Gustavo (1867-1920) à Exposição Universal de Paris, em 1900, é possível que estejamos perante um dos poucos casos em que as criações cerâmicas portuguesas foram reproduzidas por fábricas estrangeiras.

 

Conhecem-se outras versões desta figura, como a produzida pela fábrica caldense Cunha & Sucessores, que apresenta base convexa, tal como no original de Rafael, mas feições ligeiramente diferentes na ama e no bébé.

 

Embora nos últimos anos tenha vindo a promover a concepção e execução de novas peças, entre as quais se destaca a colecção que serviu para marcar os 125 anos da empresa (http://www.vistaalegreatlantis.com/product.aspx/Bordallo%20Pinheiro/Faian%C3%A7a/Premium/125%20Anos/), a Bordallo Pinheiro (http://www.bordallopinheiro.pt/) tem mantido a produção das figuras criadas por Rafael, por vezes com uma adaptação aos tempos actuais, como acontece com as peças que apresentam a inscrição Moody′s, um conceito que se deve à jornalista Anabela Mota Ribeiro (n. 1972).

 

Finalmente, compare-se a qualidade de pormenor e acabamento deste exemplar com as características das peças que actualmente são comercializadas pela empresa (cf. http://www.vistaalegreatlantis.com/detail.aspx/Figuras%20de%20Movimento/10152/), entretanto adquirida pelo grupo Vista Alegre / Atlantis, um grupo integrado no conglomerado empresarial Visabeira (http://www.grupovisabeira.pt/).

 

Esta peça foi exibida na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005.

 

 

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Março 18 2012

          

 

Grande escultura em terracota pintada, com cerca de 56,8 cm. de altura, produzida na fábrica Moderna Industrial Decorativa, Limitada, de Coimbra.

 

A pintura que recobre esta terracota apresenta tons característicos das décadas de 1940 e 1950 em Portugal, sendo conhecidos muitos objectos, como molduras e outras peças em madeira, apresentando variantes desta tonalidade. São conhecidas ainda outras figuras, representando aves diferentes, com pintura beige.

 

Como nota curiosa, sublinhe-se que quer a marca impressa (não reproduzida pela sua má legibilidade) quer a etiqueta da Moderna Industrial Decorativa recordam a célebre marca triangular relevada da, então checoslovaca, fábrica Royal Dux, famosa pelas suas estatuetas em porcelana.

 

No entanto, esta aproximação monumental à modelação cerâmica evoca claramente, no contexto europeu, as peças de majólica oitocentista como o bengaleiro-cegonha, com cerca de 103 cm. de altura, produzido pela fábrica inglesa Minton & Co. em 1876, e o floreiro-cegonha, com cerca de 66 cm. de altura, produzido pela fábrica inglesa de Joseph Holdcroft, também no último quartel do século XIX.

 

No contexto nacional, as suas proporções evocam, apenas nesse aspecto, algumas das criações de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), particularmente a peça que ilustra a fábula da raposa e do grou, reproduzida abaixo.

 

 

 

De acordo com o Diário do Governo, a sociedade Moderna Industrial Decorativa foi constituída por escritura de 19 de Abril de 1941, com um capital social de 50.000$00 e sede na Rua da Manutenção Militar, número 3, em Coimbra.

 

O capital estava equitativamente distribuído pelos cinco sócios, César Rodrigues Antero, industrial, João dos Reis, construtor civil, Francisco Caetano Ferreira, decorador, Bernardo Teles, construtor civil, e Carlos dos Reis, desenhador.

 

Esta empresa, que tinha "por objecto o exercício da indústria de estatuetas e artes decorativas", antecedeu assim em cerca de dois anos a constituição da mais conhecida e longeva Estatuária Artística de Coimbra.

 

Recorde-se que, na área da estatuária cerâmica, existiu ainda em Coimbra uma empresa denominada A Nova Decorativa (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/78219.html), dedicada também à produção de estatuetas em terracota pintada.

 

Muitas das suas estatuetas femininas são semelhantes, no formato e na pose das figuras, às produzidas pelas fábricas Goldscheider, na Áustria, Katzhütte, na Alemanha, e Royal Doulton, em Inglaterra.


 

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