Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Agosto 12 2017

 

Duas pequenas jarras, com motivos vegetalistas pintados à mão, em faiança da Fábrica de S. Roque, Aveiro.

 

A primeira, com cerca de 12,3 cm. de altura, apresenta ainda uma pequena mancha azul, aplicada a aerógrafo, na parte inferior, o que poderá sugerir que a decoração pretende representar algas.

 

A apresentação de motivos vegetalistas marinhos, nomeadamente de  algas, era também comum em algumas peças de outra fábrica de Aveiro, a Aleluia, como se pode ver aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/outras-fabricas-outras-loicas-ccxiii-320588.

 

A segunda jarra tem cerca de 18,7 cm. de altura, ostentando na parte inferior a representação de alguma folhagem, também pintada à mão. 

 

Estas duas peças datarão muito provavelmente da década de 1950, ou eventualmente da seguinte, remetendo os números 21 e 40, patentes na base e também pintados à mão, para os seus motivos.

 

 

Como já foi aqui referido, a empresa Faianças de S. Roque foi estabelecida por escritura lavrada em 20 de Outubro de 1945, estando  o seu capital inicial, no valor de 60.000$00, equitativamente dividido por João Bernardo Moreira, João Marques de Oliveira, João Matias Vieira e José António de Aguiar. 

 

A Fábrica de Louça do Canal de S. Roque [sic] apresentou as suas últimas contas em 27 de Dezembro de 2001, tendo o seu encerramento e dissolução sido registado em Outubro de 2002 e publicado em Diário da República no mês de Dezembro do mesmo ano.

 

Convém salientar que, embora os dados relativos à fundação sejam os que, até à data, foi possível encontrar em Diário do Governo, há algumas fontes que fazem recuar ao ano de 1931 a fundação da fábrica.

 

O facto de se registarem duas designações distintas, na fundação e na dissolução, e de se verificar esta discrepância na data de fundação levanta a hipótese de terem podido existir em Aveiro duas fábricas com a denominação S. Roque, ou uma mesma fábrica com diferentes sócios, diferentes fases produtivas, e distintas administrações.

 

Note-se ainda que existe uma marca, integrando a designação S. Roque, um duplo círculo e a cabaça de peregrino iconograficamente associada a este santo, que é mais antiga do que esta (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/outras-fabricas-outras-loicas-cclxiv-355158).

 

Sublinhe-se, finalmente, que estas duas peças ilustram excelentes e minuciosas qualidades decorativas e pictóricas, características pouco associadas à fábrica de S. Roque e raramente documentadas.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Dezembro 12 2015

 

Grande travessa, com cerca de 30,2 x 42,5 x 4,7 cm., em faiança da fábrica Faianças de S. Roque, Aveiro.

 

Apresentando um formato oitavado comum já nas travessas do último quartel do século XIX, esta peça ilustra três técnicas decorativas – esponjado no rebordo, stencil (chapa recortada) nos motivos florais e no motivo central e pintura manual livre nas pinceladas a verde.

 

Embora não seja uma peça que originalmente tivesse um custo de comercialização elevado, a aplicação destas técnicas distintas traduz uma produção relativamente onerosa quanto à mão-de-obra envolvida.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Novembro 24 2013

 

Taça, ou lavanda, em faiança, com cerca de 30,6 cm. de diâmetro máximo e 8,7 cm. de altura, apresentando decoração escorrida sob o vidrado.

 

Como se verifica por esta imagem, apresenta ainda três marcas não vidradas correspondentes às trempes. Apresenta também três conjuntos triangulares dessas marcas no tardoz, mas não ostenta qualquer marca de fábrica ou oficina.

 

Tal como acontece com algumas peças ratinhas, grupo onde esta não se incluirá, do século XX, que seguem modelos mais arcaicos, encontramo-nos perante um exemplar que apresenta uma técnica decorativa comum no século XIX e um formato que já era anterior ao século XX.

 

A verdade é que se conhecem várias peças da fábrica Faianças de S. Roque, em Aveiro, datáveis do segundo quartel do século XX, com decoração semelhante, incluindo estas tonalidades.

 

Conhece-se ainda um pequeno jarro, ou gomil, dessa fábrica, datável daquele período mas com uma gramática formal completamente distinta e dimensões incompatíveis com esta peça, que apresenta as mesmas tonalidades e a mesma técnica decorativa.

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

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